Alternativa de renda à extração ilegal de minhocuçu e manutenção do Cerrado em pé

July 6, 2017

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Alternativa de renda à extração ilegal de minhocuçu e manutenção do Cerrado em pé

Sobre esta organização: 

Nome: Instituto Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Sustentabilidade - Instituto Sustentar

País: Brazil

Ano de fundação: 2006

Tipo de organização: Associações ou organizações de base comunitária / Grupo ou associação de minorias étnicas / Other

Descrição breve

Na comunidade quilombola de Pontinha, a maior parte dos homens e mulheres se dedica à atividade de extração de minhocuçus da espécie Rhinodrilus alatus, minhocas gigantes endêmicas que são comercializadas para fins de pesca amadora. Para os moradores, a exploração desses animais constitui uma atividade fundamental, visto que representa sua principal fonte de renda. Uma das estratégias para a conservação e manejo do minhocuçu é não coletar a espécie durante seu período reprodutivo, que ocorre no período chuvoso. Outra estratégia é a geração de alternativas de emprego e renda para os extrativistas de minhocuçus, uma vez que um dos fatores que ameaça o desenvolvimento de boas práticas de uso do minhocuçu é a pouca oportunidade de emprego na região. Em Pontinha, o Cerrado é utilizado para coleta de lenha, plantas medicinais e frutos como o pequi. A partir da elaboração de um calendário sazonal feito com as comunitárias e comunitários, constatou-se a coincidência do período de frutificação de pequi com a reprodução de minhocuçus. É com base nessa constatação que se apresenta o caráter inovador do Projeto Pequi: a diminuição da pressão de extração do minhocuçu por meio do extrativismo sustentável do Cerrado, tendo como eixo gerador o uso do pequi. A comunidade de Pontinha possui uma área de Cerrado de uso comum, com abundância de pequizeiros com diferentes estágios de vida cujos frutos podem ser beneficiados, agregando valor e consequente geração de renda e trabalho local.

 

Elemento ambiental

Florestas / Vida selvagem

 Tipo de ação

Proteção / Uso sustentável / Consciencialização e educação

Elemento de desenvolvimento sustentável

Emprego e subsistência / Segurança alimentar / Paz e segurança

Objetivo(s) de Desarrollo Sostenible Relacionado(s)

        

Impactos ambientais

O território da comunidade quilombola de Pontinha é uma das maiores áreas de Cerrado protegida (aproximadamente 1200 hectares) do município de Paraopeba, MG. Desde 2013 estão sendo desenvolvidas ações sobre o uso do pequi, um fruto nativo do Cerrado, como alternativa de renda nesta comunidade, em que constam estudos ecológicos para avaliação da sustentabilidade do extrativismo, cursos de capacitação na comunidade para a produção de alimentos e outros produtos a partir da polpa do pequi, formas de organização e arranjos produtivos locais e experimentos sobre germinação de sementes de pequis, visando à produção de mudas para plantio e venda. Considerando os frutos do cerrado como uma alternativa viável para o minhocuçu, a comunidade está mobilizada para a continuidade e ampliação do projeto para outros frutos do cerrado e de quintal. Hoje estão envolvidos diretamente no projeto 10 famílias (homens e mulheres jovens, adultos e anciãos) e indiretamente 200 famílias.

Impactos de desenvolvimento sustentável

A próxima etapa do Projeto Pequi é a construção de uma unidade básica de beneficiamento para produtos da sociobiodiversidade, sendo uma proposta de inovação tecnológica que utilizará como estrutura um container modular planejado para atender às exigências sanitárias e ergonômicas mínimas. O container será projetado para o uso racional de energia e água, sendo utilizadas placas de energia solar, lâmpadas LED, reaproveitamento da água descartada na produção e captação de água da chuva. Os resíduos gerados pelo beneficiamento de frutos do Cerrado, como cascas e caroços, serão destinados à compostagem, seja para uso na horta da escola da comunidade que cederá espaço para instalação da unidade produtiva, seja para venda do excedente para outros empreendimentos. Outra etapa integrante do projeto é replicação e divulgação de técnicas de plantio de mudas de árvores frutíferas nativas do Cerrado, como forma de assegurar a manutenção das comunidades de espécies vegetais.

Redimensionabilidade

Na proposta aqui apresentada, avaliou-se primeiramente, por meio de estudos científicos, a viabilidade do extrativismo de um fruto nativo, antes de se estabelecer a comercialização em maior escala. Com isso a presente proposta poderá ser expandida para outras localidades do país, que tenham quaisquer outros produtos florestais não madeireiros, a serem utilizados como fonte de renda. O container, que é unidade de beneficiamento, a ser instalada em Pontinha atende às demandas básicas de uma unidade produtiva, como as exigências mínimas da legislação sanitária, sendo uma inovação tecnológica no ramo de beneficiamento de frutos que oferece maior praticidade, mobilidade, menor tempo e custo no processo de implantação, especialmente para comunidades rurais de difícil acesso, assim como Pontinha. Esta tecnologia poderá ser replicada para outras outras comunidades, tendo em vista a adaptabilidade desse formato de unidade, a diversos perfis de agroindústrias, e processos produtivos.

Reprodutibilidade

A presente proposta poderia ser replicada em outras localidades, fora do país, uma vez que as etapas de diagnóstico vislumbraram, em sua maior parte, uma abordagem participativa junto aos comunitários, por meio de um estudo etnoecológico. Nesse estudo foi possível obter informações sobre os saberes e práticas mantidos dentro da comunidade a respeito do cerrado e a relação da comunidade com os recursos deste bioma, além de abordar os usos locais dos frutos nativos. Ainda no diagnóstico, durante o estudo ecológico para determinação das densidades e da produtividade dos frutos, utilizamos metodologias participativas, nas quais, os moradores atuavam como pesquisadores investigadores, resultando em constantes processos de trocas e aprendizagens coletiva. O uso de produtos florestais não madeireiros, por povos e comunidades tradicionais, aliada a geração de renda constitui uma alternativa viável para conter a degradação dos recursos naturais.

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